Uma luz de nome Franciszek

Alcides Kruschewsky
Maurício Maron

Faleceu Franciszek Susmaga, pai de meu querido amigo Brunek , da Barrakítika, compadre que me confiou seu filho Hermano, de quem sou orgulhoso padrinho.

Tenho a HONRA de oferecer a vocês o texto abaixo, escrito pelo meu querido compadre. Nele, Brunek revela o exemplo de superação permanente, de Franciszek, numa demonstração de que, mesmo quando tudo parece perdido, devemos prosseguir com determinação, coragem, esperança e fé.

Franciszek viveu uma saga incomum e histórica. Os registros de sua vida nos remetem a outros momentos traumáticos vividos pela humanidade. Por isso, nesse momento tão triste, fiz questão de, ainda sem autorização do seu autor, compartilhar essa bela história de vida.

O seu exemplo de superação, a capacidade de Franciszek sacudir a poeira e dar a volta por cima, muito nos ajudará a vencer a difícil batalha que ora travamos e o que ainda nos espera. Um homem especial, culto, de vanguarda e uma experiência que comprova que nunca, mesmo diante do que possa parecer o fim, devemos nos entregar.

Essa história terá grande importância para muitas pessoas, eu diria para todos nós, podendo representar a diferença entre desistir e prosseguir. E de como, mesmo diante de tanto ódio, o amor prevalece e permanece vivo.

A partir daqui deixo o seu próprio filho contar.

---------------

"Franciszek Susmaga , nasceu em 2 de janeiro de 1930 em Zdunska Wola, interior da Polônia. Filho de carpinteiro, morava em uma fazenda, estudava musica e cuidava dos animais ,sempre acompanhado de seu violino, fabricado por seu pai. Em 1940 seu país foi invadido pela Alemanha, começava a segunda Guerra mundial. Foram expulsos das suas terras e feitos prisioneiros. Aos 10 anos foi obrigado a trabalhar para os alemães em um campo de prisioneiros. Torturado, espancado, inúmeras vezes, lembrava, ficou desacordado. Com o fim da segunda guerra mundial em 1945, ficou até 1949 na Alemanha e teve que ser enviado para o Brasil com seus pais , uma irmã e seu irmão caçula. Aqui no Brasil passou por inúmeras situações: trabalhou como balconista em uma loja, tocou violino em festas, trabalhou em mineradoras, tudo isso em Salvador. Até que conheceu um alemão que lhe ofereceu emprego numa fábrica de borracha ( a Mucambo), aqui em Ilhéus. Trouxe a família e começou a trabalhar na oficina da fábrica. Em pouco tempo foi elevado ao cargo de gerente e nas suas vindas à cidade, conheceu uma moça linda de olhos azuis, com quem namorou e casou. Teve seu primeiro filho e abriu seu próprio negócio, uma tornearia. Com muito trabalho, dedicação e profissionalismo, em pouco tempo já se destacava como uma empresa de sucesso na região. A essa altura já tinha mais 3 filhas. Esse homem enfrentou inúmeras batalhas, lutador forte, guerreiro, teve tempo de ensinar aos seus filhos valores como , integridade, honestidade e generosidade. Quando ganhou seus netos aflorou ainda mais o seu infinito amor. Aposentou-se aos 70 anos, tornando-se professor de história mundial nas conversas com os amigos. Afinal, sempre leu muito, mastigava 1 livro por semana.

Vieram os bisnetos, mais amor no ar, alegrias... Mas junto com o tempo, a idade. Surgiram as novas batalhas e ele enfrentou 3 tipos de câncer. Lutou, não baixou a guarda em nenhum momento, chegando a ser chamado pelos médicos de Highlander. Foram quase 15 anos de luta e reviravoltas, e se tinha alguém que não reclamava da sorte, era o próprio. Mas agora o senhor descansou. Que Deus te receba, pai, vovô, bivô. Obrigado por tudo" !

Brunek de Almeida Susmaga

O autor deste artigo é o empresário e militante político Alcides Kruschewsky